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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Trastes


Camilo Lourenço, alguém que qualifica a antiga RDA de "traste", alerta os "países indiciplinados" (leia-se os PIIGS) para apertarem os cintos, já que a Alemanha está a fechar a torneira dos apoios financeiros.
É interessante seguir o seu raciocínio.
Para este militante do PEC (embora o considere brando) e fã das agências de rating, a Alemanha está mais "virada para dentro" e só nos resta portar bem.
Portar bem, para ele, significa disciplina orçamental. E, disciplina orçamental já se sabe o que significa: congelamento dos salários, fim dos apoios sociais, fim dos investimentos públicos, etc.
Só assim poderemos voltar a contar com a "solidariedade" dos nossos parceiros comunitários (Alemanha e França) e "ir vivendo".
Nunca acreditei muito na solidariedade dos nossos parceiros europeus e acho que a Alemanha sempre esteve "virada para dentro".
 Os ditos apoios financeiros são concedidos na exacta medida dos seus interesses e dos interesses dos grandes grupos económicos (que acabam por ser os mesmos).
Se os "PIIGS" não tiverem dinheiro quem compra os Mercedes, BMWs, submarinos e fragatas?
A receita é simples: Tomem lá o dinheiro, não se descontrolem porque vão ter de o pagar (com juros, claro) e, com ele, comprem os nossos produtos.
O resultado é óbvio, o dinheiro entra duas vezes nas economias desses grandes países.
Apoio a solidariedade internacional, mas acredito que a solução só pode estar em nós.
Sem desenvolvimento e sem um aparelho produtivo sólido e consistente, ficaremos sempre à mercê dos "apoios" de que tanto gosta Camilo Lourenço e que a tantos agrada.
E assim continuaremos a "ir vivendo", com todos os trastes que nos impõem.
  

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